terça-feira, 8 de dezembro de 2009

e o canto dele se perdeu de nós

 - Era uma gaita feliz o que tocava
e num vôo rasante o Pássaro a resgatou
 - Ninguém viu.
 - Ninguém nunca vê.

...nuvens...

'vim o mais rápido que pude', ele lhe disse
 - pra onde desejas ir?
 - subir.

*


Há pessoas que de repente sobem.


















Deixando a saudade em quem ficar.


*

 - Como pode logo ela não estar mais aqui?
 - Logo ela, tão alegre, tão animada, tão...viva!

*

o sorriso dela aos poucos sumiu
e os seus olhos ao pouco se apagaram
enquanto clamava por apenas um
ninguém, no entanto, soube ouvir seu canto

*

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

NInguém nunca vê.

Dezesseis (Legião Urbana)

João Roberto era o maioral
O nosso Johnny era um cara legal

Ele tinha um Opala metálico azul
Era o rei dos pegas na Asa Sul
E em todo lugar


Quando ele pegava no violão
Conquistava as meninas
E quem mais quisesse ver
Sabia tudo da Janis
Do Led Zeppelin, dos Beatles e dos Rolling Stones

Mas de uns tempos prá cá
Meio sem querer
Alguma coisa aconteceu

Johnny andava meio quieto demais
Só que quase ninguém percebeu

Johnny estava com um sorriso estranho
Quando marcou um super pega no fim de semana
Não vai ser no CASEB
Nem no Lago Norte, nem na UnB

As máquinas prontas
Um ronco de motor
A cidade inteira se movimentou

E Johnny disse:
"- Eu vou prá curva do Diabo em Sobradinho e vocês ?"

E os motores sairam ligados a mil
Prá estrada da morte o maior pega que existiu
Só deu para ouvir, foi aquela explosão
E os pedaços do Opala azul de Johnny pelo chão

No dia seguinte, falou o diretor:
"- O aluno João Roberto não está mais entre nós
Ele só tinha dezesseis.
Que isso sirva de aviso prá vocês".

E na saída da aula, foi estranho e bonito
Todo o mundo cantando baixinho:

Strawberry Fields Forever
Strawberry Fields Forever

E até hoje, quem se lembra
Diz que: "Não foi o caminhão"
Nem a curva fatal
E nem a explosão

Johnny era fera demais
Prá vacilar assim
E o que dizem é que foi tudo
Por causa de um coração partido

Um coração

Bye, bye Johnny
Johnny, bye, bye
Bye, bye Johnny.



segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Almoxarifado

Eu sempre quis entrar no almoxarifado da minha escola!

As 'tias da limpeza' entravam e saíam de lá... parecia um pouco escuro... especulávamos "o que tá guardado lá dentro?"... e certas vezes algumas pessoas diferentes, como a diretora da escola, entravam lá também.

Em meio à poeira e ao cheiro que saíam daquela sala, e eu com meus 7, 8 anos de idade, suprir a minha criatividade tornou-se a criação de um almoxarifado na minha cabeça. Um assim, bem cor de azul. :)

*

Subitamente, de susto, ontem, reencontrei o meu almoxarifado, o cheiro da minha poeira, e o que pude fazer foi chorar. Ver aquela mesma cor, a cor do entardecer do céu na infância - porque hoje as cores são diferentes - , na época em que eu disputava corrida de bicicleta com o céu rosazul, temendo que  ele escurecesse. De repente saí da chácara e fui pra casa, indo tomar banho,  voltando da casa de uma amiga, cheirando ao preto da sola dos meus pés, com a barriga roncando, desejando sentir o cheirinho do pão-queijo da padaria. Enquanto isso, assistir Chiquititas e tomar Toddynho. Tudo ao mesmo tempo.

"mããe! faz cafuné em mim depois?"
"filha... mamãe tá com dor de cabeça, mas na hora da novela eu faço, tá?"

*

Era assim e continua sendo.

Driblando o tempo!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Fugir disso assim

Fica difícil prosseguir vendo a sujeira que escorre de tantos olhos empedrados e pesados por toda parte. Falso-moralismo

Suas mãos rasgam travesseiros, que mãos covardes
no alto da cidade deixa as penas voarem... e pela cidade as penas ainda voam.
Uma delas me acertou e é pedra, empedra, parede, tudo o que vejo.
E aí não entendo porque a minha alma não pode se soltar como pena também.


é pena ter que valer a pena.